Vida de inseto

Oh que filme bom! – ‘Vida de Insetos’, animação da Pixar do ano de 1998. Hoje relembrando a história do Flik, tracei um paralelo com a conjectura da política nacional – lembrando a abrangência da palavra: ‘Pólis’ denomina-se a arte ou ciência da organização e direção. Na animação há um embate entre opressores e oprimidos. Hopper representando os gafanhotos e Flik as formigas. Opressor e oprimidos depende de um entendimento pessoal, use o seu bom senso e siga com a leitura. O protagonista é Flik, uma formiga cheia de ideias, mas que sempre causa problemas em sua colônia. Seu último acidente foi destruir os alimentos que seriam usados para pagamento dos gafanhotos. Agora, Hopper está exigindo o dobro, senão a colônia será aniquilada. Esse é o enredo inicial do filme. Não vou descrever o desenrolar por dois motivos; primeiro sou contra ‘spoilers’, e segundo, porque não será relevante para esta reflexão.

Ano 2020, acredito que alcançamos o ápice de uma sociedade estruturada no consumismo desenfreado. Fomos levados a isso, coercitivamente, pela pandemia (coronavírus). A discussão que tem ganhado os holofotes; é o isolamento social – necessário para conter a evolução dos casos da COVID 19 no Brasil; ante ao colapso da economia em virtude da (única) atitude preventiva capaz de diminuir a proliferação do vírus – o isolamento social. Não é bom mesmo! – mas tratando-se da única possibilidade de embate (e estou exagerando no substantivo, pois neste caso, só um lado bate). Não há muito o que se discutir.

Mas voltemos ao filme de 1998 – nele a colônia de formigas é severamente explorada pelo grupo de gafanhotos liderados por Hopper. O que tenho visto nesses dias, em inúmeros discursos, é que algumas formigas tem se apropriado do discurso dos gafanhotos. Querem ao custo (de suas vidas) voltarem aos seus postos de trabalho – sim para sobreviver- mas mais ainda (até de maneira inconsciente) para aumentar a pilha de riquezas que só favorecem os gafanhotos! – que seguem no topo da pirâmide social alicerçada no consumismo voraz. Não pensemos como gafanhotos, pois nosso lastro é frágil, não aguentaremos. Vejamos o exemplo dos gafanhotos; Bradesco, Itaú e Santander. Eles estão firmes em seu papel de gafanhotos, pois sabem que não sobreviveriam sem as formigas. Ou você tem acreditado que existem gafanhotos altruístas? Não! – eles estão investindo um pouco dos lucros exorbitantes que tiveram sobre as formigas por décadas – eles tem lastro para!

O bem inegociável para uma formiga é a sua força individual para o trabalho – e só pra não esquecer, isso pressupõe estar vivo -, enquanto formiga, o que lhe cabe é a precaução por vossa vida e dos entes mais próximos de vossa colônia. Discursos de formigas que acreditam ser gafanhotos não lhes trarão tal metamorfose. Pensemos nisso minhas amadas formiguinhas.

Marcelo F CARMO

Compartilhe!

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on google
Google+
Share on facebook
Facebook