Coitado do Claudio!

Esse coronavírus não atinge todos da mesma forma. Estou convencido disso. Esses dias de quarentena (para as pessoas normais), o silêncio descomunal das ruas e becos tem mostrado, ou melhor, me deixado ouvir de forma mais clara, as angústias de meus vizinhos. Não vou dar a localização exata, pois tenho meu sigilo literário. Depois desta crônica tenho convicção que identificará um Cráudio por aí. Essa pandemia tem feito muitos deles ficarem em casa, e ao meu ver, eles tem ficado na dúvida; encarar a ameaça do coronavírus ou uma esposa autoritária e impaciente? Sei que é um stress dar conta da casa, filhos, plantas, bichinhos e etc. Essa é uma discussão antiga, acho plenamente justa e verdadeira. Mas querer fazer como Jesus transformar água em vinho! – Ops, pera aí! Milagres dessa magnitude, só pra Jesus! Vai com calma com o seu Craúdio, o ‘menino’ que só recolhia o lixo e não deixava toalha molhada sobre a cama! – não pode, pressionado por uma pandemia, criar, em uma semana, a habilidade para colocar corretamente roupas na máquina de lavar, passar aspirador no sofá e ainda dar banho nas crianças!- Opá!-, toda adaptação, sob grande pressão, não acontece tão rápido!
Sigo aqui atento aos gritos das esposas impacientes – totalmente alheio à tais ordenamentos – não dou mais conta de obedecer e atender quase nenhuma solicitação. Mas sou solidário aos Cráudios espalhados por esse Brasilzão sem porteira.
Oh mulherada, peguem leve com vossos amados aprendizes. Pois o juramento vale também para essa situação inusitada. Um novo mundo se formará depois desse momento ímpar para a humanidade. E pra não esquecer: Cráudios são humanos!

Marcelo F Carmo

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